Quando a palavra "hipnose" aparece, a imagem mental costuma ser sempre a mesma: um sujeito com um pêndulo na mão, uma pessoa que "adormece" e passa a obedecer comandos sem saber o que está fazendo.

Essa imagem não tem nada a ver com a Hipnoterapia Ericksoniana. E este texto existe para desfazer esse equívoco — e explicar o que ela realmente é, como funciona, e para que pode ser útil.

Quem foi Milton Erickson?

Milton H. Erickson foi um psiquiatra americano que, ao longo de décadas de prática clínica, desenvolveu uma abordagem radicalmente diferente da hipnose tradicional. Sua visão central era simples e poderosa: cada pessoa já carrega dentro de si os recursos de que precisa. O papel da hipnoterapia é criar as condições para que esses recursos sejam acessados.

Erickson era famoso por adaptar sua abordagem inteiramente a cada paciente — sem técnicas rígidas, sem protocolos fixos. Ele observava, escutava e respondia à singularidade de cada pessoa. É exatamente esse espírito que define a abordagem ericksoniana até hoje.

Mas afinal, o que é a hipnose nesse contexto?

O estado hipnótico não é sono, não é inconsciência e não é uma forma de controle mental. É um estado de atenção concentrada e foco interno — parecido com aquele momento em que você está tão absorto em um livro, em um filme ou em um pensamento que o resto do mundo some por um instante.

Nesse estado, a mente fica mais receptiva a novas perspectivas e associações. Padrões que estavam cristalizados podem ser revisitados. Recursos que existem mas não estavam acessíveis no modo "piloto automático" do dia a dia passam a estar disponíveis.

"Você permanece consciente e no controle o tempo todo. A hipnoterapia não faz nada por você — ela cria as condições para que você faça por si mesmo."

Lucas Cavalcanti de Magalhães — Psicólogo Clínico

O que acontece numa sessão de hipnoterapia?

Uma sessão começa como qualquer encontro terapêutico: com conversa. Entendemos juntos o que você está vivendo, o que quer trabalhar, quais padrões você percebe em si mesmo.

A partir daí, caso faça sentido, podemos usar a hipnose como recurso auxiliar. O processo é gentil — envolve orientações para que você direcione sua atenção para dentro, desacelere e entre em contato com sua própria experiência de um modo mais profundo do que o usual.

Durante o processo, você está consciente. Pode falar, pode interromper, pode abrir os olhos a qualquer momento. Não há perda de controle. Não há "comandos" sendo implantados. O que há é um estado de maior receptividade — que você mesmo escolhe entrar e sair.

Para que a hipnoterapia pode ajudar?

Importante: a hipnoterapia não é uma solução mágica nem funciona para todos da mesma forma. Ela é um recurso — poderoso quando bem aplicado, mas sempre dentro de um processo terapêutico mais amplo.

Como ela se integra ao trabalho clínico?

No meu trabalho, a hipnoterapia ericksoniana é usada como recurso auxiliar à abordagem fenomenológico-existencial — e não como técnica isolada. A fenomenologia abre a consciência: você entende o que sente e de onde vem. Mas há momentos em que entender racionalmente não é suficiente para mudar. É aí que a hipnoterapia entra.

Juntas, as duas abordagens se complementam de forma singular: uma terapia que pensa com você e também sente com você.

E sim, é regulamentada: a hipnose é reconhecida como recurso auxiliar do psicólogo pelo Conselho Federal de Psicologia, conforme a Resolução CFP nº 13/2000.