Dar o primeiro passo para a terapia costuma ser o mais difícil. E não é por falta de vontade: é porque não saber o que vai acontecer gera uma ansiedade particular. O que eu vou falar? O que o psicólogo vai me perguntar? Vou chorar? Preciso ter alguma coisa preparada?

Este texto existe para responder essas perguntas com honestidade e, com sorte, tornar esse primeiro encontro um pouco menos intimidador.

Você não precisa chegar sabendo o que dizer

Essa é a primeira coisa importante: não existe preparo necessário para a primeira sessão. Você não precisa ter um resumo da sua vida, uma lista de problemas ou clareza sobre o que está sentindo. Muitas pessoas chegam sem conseguir nomear o que sentem, e tudo bem. É justamente esse o trabalho do espaço terapêutico.

Não há roteiro certo. Não há resposta errada. A única coisa que a primeira sessão pede é que você apareça.

"Não precisa chegar com nada preparado. A sessão começa exatamente de onde você está."

Lucas Cavalcanti de Magalhães, Psicólogo Clínico

O que geralmente acontece na prática

A primeira sessão é, antes de tudo, um espaço de apresentação, não de avaliação. Não estou aqui para julgá-lo, para dar um diagnóstico no primeiro encontro ou para concluir algo sobre sua vida com base em uma hora de conversa.

O que acontece é mais simples: você fala. Eu escuto. Faço perguntas para entender melhor, não para seguir um protocolo, mas porque genuinamente quero compreender o que você está vivendo.

Alguns tópicos que costumam aparecer:

Mas isso não é uma lista de perguntas obrigatórias. A conversa vai ao ritmo que fizer sentido para você.

E se eu chorar?

Isso acontece. Com frequência. E é completamente natural, especialmente quando é a primeira vez que você se permite falar sobre certas coisas em voz alta, para outra pessoa, sem precisar se proteger.

O espaço terapêutico é, talvez, um dos únicos lugares onde você pode ser vulnerável sem precisar administrar o impacto que isso causa em quem está ouvindo. Isso tem um peso próprio. Se as lágrimas vierem, que venham.

Ao final da primeira sessão, o que acontece?

Conversamos sobre como foi: o que você sentiu, o que ficou, o que ainda está em aberto. Falo um pouco sobre como costumo trabalhar e respondemos juntos as dúvidas que surgirem: frequência das sessões, formato, valor, como funciona o processo daqui pra frente.

Não há compromisso automático. A primeira sessão é exatamente o que o nome diz: um primeiro encontro. Você decide, com calma e sem pressão, se quer continuar.

Uma coisa que quero que você saiba

Buscar terapia não é fraqueza. Não é sinal de que você "não está dando conta". É, na maioria das vezes, um ato de coragem: a decisão de se dedicar a si mesmo de um jeito que a vida cotidiana raramente permite.

Se você chegou até aqui lendo sobre o que esperar da primeira sessão, já deu um passo. O próximo é marcar o horário.